sounds like my kinda job

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Possible research topics:

- Semiotics of the dance playlist for eclectic groups

- Mojito and Caipirinha: comparative analysis of lime and spirit-based cocktails

- Sociology of the incidence of non-alcoholic beverages in gatherings of young professional adults

- Reducing waste levels by prolonging the crunchiness of chips and decreasing chewiness of pizza leftovers

- Novel materials for minimal disturbance of neighbours by sub-woofer throb

- Why Wonderwall? Consumer preference for safe choices in chord and vocal performance

found in Euraxess

um chato que é um herói de si mesmo

Acho muito fixe isto das notícias agora serem todas digitais. Com uns cliques no rato ou umas dedadas no ecrã do telemóvel e poucos minutos temos à frente uma panóplia de fornecedores de informação com todos os níveis de qualidade e para todos os bolsos. Escolher o que ler e quando o ler é mais fácil, frequentemente gratuito e rápido. O papel tem muito charme mas é muito menos prático.

Posto isto:

Tenho um ressentimento muito grande relativamente ao facto de os jornais online quererem ser tão interactivos. A informação não só vem deles para nós, mas nós também podemos deixar o nosso bitaite. Por um lado, compreendo: se certos caramelos têm direito a serem publicados em destaque nos chamados “artigos de opinião”, “crónicas” ou “colunas”, os restantes caramelos também têm direito. Vai-se a ver e a maioria de caramelos de ambos os lados têm níveis iguais de formação e relevância, nível esse que se intui ser relativamente baixo dada a sofreguidão dos jornais em produzir conteúdo e em se integrarem na febre da interacção social que é a internet.

O que eu não perdoo é que isto tenha aberto as portas da projecção indiscriminada a tanto energúmeno. O leitor-comentador chato tem o poder de transtornar mais que as más notícia e consegue tingir até as notícias boas. Não há filtro de profanidades e hyperlinks que valha à secção de comentários das notícias. O leitor-comentador chato não tem filtro nenhum e o ponto de vista mais estúpido, mesquinho e mal informado há-de ir lá parar. O leitor-comentador chato não dispõe, frequentemente, de mais nada do que o seu umbigo espectacular e único e a transbordar de opiniões, tão mas tão urgentes que a maioria das vezes nem lê o artigo em questão antes de debitar três parágrafos despropositados. O leitor-comentador chato absorve palavras-chave e assume o teor do que está escrito e sobre a produção de ananás nos Açores brada contra a mania das dietas. Brada fora do contexto, brada contra a ironia que não percebe, brada contra a gramática como um professor da quarta-classe, brada contra os factos que acha que entendeu mas não entendeu foi porra nenhuma. Brada em múltiplos artigos, brada contra os outros leitores-comentadores, contra o jornalista, pela a sua vida infeliz que nunca se concretizou na extensão do seu próprio ego, pela frustração de ser um visionário tão inteligente e relevante condenado a uma existência de carimbar papéis na conservatória. Todos, MAS TODOS, temos de ficar a saber de que maneira o leitor-comentador chato corrigiria o mundo e endireitaria as contas do estado e a moral da sociedade, se lhe dessem mais do que poder de voto e de acordo com uma filosofia trabalhada durante anos na grande escola do balcão do café.

são órbitas

São órbitas, são.
Parecem caminhos comuns,
Mãos dadas e adiante, mas não.
Órbitas que se cruzam
Ao fim do dia, depois de conceder
Às outras coisas da vida.
Por vezes come-se e fala-se,
Por vezes beija-se e cala-se.
Nada de se enaltecer.

Suspiro, raiva, guarida
Cócegas, abraço mudo,
São instrumentos de diplomacia.
É assim que o trajecto permanece
E que após outro circuito de tudo
O amor se acha de novo
À porta, à mesa, na cama,
No olhar que reconhece
O corpo que se aproxima
Como o tal que se ama.