refrigerator-sized cars

If there one idea Tumblr has given me is that the US must be a horrible place to be a woman. According to Tumblr’s “Social Justice Warriors” and all the documentation they upload on that platform, women in America have very little empowerment in society and very little authority even over their own bodies. Also, nothing much is expected to change because the power is held by white male biggots.

Shit can give you nightmares of being stuck between a white, lacrosse team bomber jacket-bearing jock offering you a drink with roofies and pro-life demonstrators holding up anti-abortion signs while a group of senators turn their back on you and snicker.

Or at least it gave me interest in learning more about how America does gender equality (or doesn’t). And today I was reading an article on Bloomberg Business Week (a sounder source for oppinion shaping?) about american policies on maternity leave, which is almost non-existent. The problem seems to be nobody wants to pay young parents for the time they don’t work because they just had a baby. The very little that is paid is, well, very little and also doesn’t mean the job will be there waiting when the leave is over. Some of the consequences are that families can get into financial trouble for having children and that women lag behing in career progression. The article inevitably compares this scenario with what’s going on in other parts of the world, particularly Europe where we seem to have it good. (I assure you we only have it slightly better.) Read it if you’re interested.

A whole new debate, which the article didn’t cover, shapes up in the comments section: who’s benefiting from babies and, therefore, who should pay for the babies? Is it the parent’s who fulfil their dream of nurturing a family or the society who, well, lives on thanks to people reproducing on? Are children a societal or a personal benefit?

This could be the deepest shit ever seen in a comments section if it weren’t for the level of the comments as well as the the other recurrent point of debate: no comparison with Europe is pertinent because Europe is a high-tax, socialist society with a welfare (Welfare?) lifestyle… Some people, apparently, feel very strongly about that. I think this reader summed it up really well:

C1

So now we now it, fellow Europeans: refrigerator-sized cars and the hellish price to pay for social protection and smaller gender gaps and also we should all be ashamed of them.

sounds like my kinda job

Capture

Possible research topics:

– Semiotics of the dance playlist for eclectic groups

– Mojito and Caipirinha: comparative analysis of lime and spirit-based cocktails

– Sociology of the incidence of non-alcoholic beverages in gatherings of young professional adults

– Reducing waste levels by prolonging the crunchiness of chips and decreasing chewiness of pizza leftovers

– Novel materials for minimal disturbance of neighbours by sub-woofer throb

– Why Wonderwall? Consumer preference for safe choices in chord and vocal performance

found in Euraxess

um chato que é um herói de si mesmo

Acho muito fixe isto das notícias agora serem todas digitais. Com uns cliques no rato ou umas dedadas no ecrã do telemóvel e poucos minutos temos à frente uma panóplia de fornecedores de informação com todos os níveis de qualidade e para todos os bolsos. Escolher o que ler e quando o ler é mais fácil, frequentemente gratuito e rápido. O papel tem muito charme mas é muito menos prático.

Posto isto:

Tenho um ressentimento muito grande relativamente ao facto de os jornais online quererem ser tão interactivos. A informação não só vem deles para nós, mas nós também podemos deixar o nosso bitaite. Por um lado, compreendo: se certos caramelos têm direito a serem publicados em destaque nos chamados “artigos de opinião”, “crónicas” ou “colunas”, os restantes caramelos também têm direito. Vai-se a ver e a maioria de caramelos de ambos os lados têm níveis iguais de formação e relevância, nível esse que se intui ser relativamente baixo dada a sofreguidão dos jornais em produzir conteúdo e em se integrarem na febre da interacção social que é a internet.

O que eu não perdoo é que isto tenha aberto as portas da projecção indiscriminada a tanto energúmeno. O leitor-comentador chato tem o poder de transtornar mais que as más notícia e consegue tingir até as notícias boas. Não há filtro de profanidades e hyperlinks que valha à secção de comentários das notícias. O leitor-comentador chato não tem filtro nenhum e o ponto de vista mais estúpido, mesquinho e mal informado há-de ir lá parar. O leitor-comentador chato não dispõe, frequentemente, de mais nada do que o seu umbigo espectacular e único e a transbordar de opiniões, tão mas tão urgentes que a maioria das vezes nem lê o artigo em questão antes de debitar três parágrafos despropositados. O leitor-comentador chato absorve palavras-chave e assume o teor do que está escrito e sobre a produção de ananás nos Açores brada contra a mania das dietas. Brada fora do contexto, brada contra a ironia que não percebe, brada contra a gramática como um professor da quarta-classe, brada contra os factos que acha que entendeu mas não entendeu foi porra nenhuma. Brada em múltiplos artigos, brada contra os outros leitores-comentadores, contra o jornalista, pela a sua vida infeliz que nunca se concretizou na extensão do seu próprio ego, pela frustração de ser um visionário tão inteligente e relevante condenado a uma existência de carimbar papéis na conservatória. Todos, MAS TODOS, temos de ficar a saber de que maneira o leitor-comentador chato corrigiria o mundo e endireitaria as contas do estado e a moral da sociedade, se lhe dessem mais do que poder de voto e de acordo com uma filosofia trabalhada durante anos na grande escola do balcão do café.

são órbitas

São órbitas, são.
Parecem caminhos comuns,
Mãos dadas e adiante, mas não.
Órbitas que se cruzam
Ao fim do dia, depois de conceder
Às outras coisas da vida.
Por vezes come-se e fala-se,
Por vezes beija-se e cala-se.
Nada de se enaltecer.

Suspiro, raiva, guarida
Cócegas, abraço mudo,
São instrumentos de diplomacia.
É assim que o trajecto permanece
E que após outro circuito de tudo
O amor se acha de novo
À porta, à mesa, na cama,
No olhar que reconhece
O corpo que se aproxima
Como o tal que se ama.