à janela II

Aqui sentada a esta janela, a ver a neve nos ramos das árvores nuas e nos ouriços que o inverno se esqueceu de lhes arrancar, a ouvir a água desnivelar na comporta mais a montante, os patos que não se demoram a passar e uma ou outra bicicleta mais velha cujos pára-lamas lassos se algazarram nos solavancos da rua, a sentir os pés descalços e os braços nus no conforto desta casa sempre morna, a descansar duma jornada de trabalho que me dão ânimo e condições para executar ou a fazer tempo para ir ter com o grupo de amigos que se distrai mutuamente do desamparo cómodo de estar longe de casa… Nem quero pensar que tenho de voltar para Portugal daqui a uma semana.

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