o cumbíbio

Tenho a mania que tenho de ser autónoma, de tirar o estudante ao doutoramento, porque o estudante é chato e tem dúvidas. E, claro, eu tenho de aprender tudo sozinha, mesmo aquelas coisas que só entraram na minha vida há duas horas, e tenho de decidir e programar todos meus passos metodológicos de preferência sem ter muitas dúvidas e com 2 anos de antecedêcia. Tenho tentado fazer isto a bater com a testa nos livros e no ecrã. (Diz que é uma maneira muito eficaz, as coisas entram por osmose.)
Mas às tantas comecei a aperceber-me que os meus colegas de todas as posições têm a desfaçatez de perguntarem coisas uns aos outros, de pedir conselhos e dicas e até, suponha-se, de meter gente de outros departamentos e instituições ao barulho. Discutem as coisas e tentam tirar conclusões e melhorar estratégias… Às vezes entram nos gabinetes uns dos outros com uma caneca de café na mão e sentam-se em cima da secretária a falar. Outras vezes é mais formal e até marcam estas coisas nas suas agendas para que este regabofe ocorra a uma determinada hora dum determinado dia que convenha a todos os encostados. Que fornicoques que isto me andava a dar!
Já tinha experimentado algumas vezes a abordagem da caneca do café e o rabo na mesa, mas para coisas mais leves, tipo uma ideia maluca para um paper ou a escolha dum livro… Até que um dia decidi despir-me de qualquer fiapo de honra e mandar um mail a quem sabia dum determinado assunto que me estava a provocar dois ou três galos mais visíveis. Muito constrita, a desfazer-me em desculpas, pedi se poderia ir lá bater à porta e pedir umas orientações em determinado assunto. Marcou-se uma data e quando anotei na agenda até me arrepiei, pá. E passados 30min estava a sair do gabinete sem perceber porque é que tive tantas dúvidas e nunca tinha ouvido falar daquilo e com uma pilha de coisas para ler acerca da técnica que, de entre as 1000 possíveis, era a melhor e, na verdade, a única que eu deveria ter considerado logo de início.
Já é a terceira vez que isto me acontece em menos de duas semanas e devo dizer que estou a tomar-lhe o gosto! Não é que num ambiente académico saudável se trocam ideias e desencalicram dilemas e se melhoram coisas a conversar uns com os outros? Sem complexos nem medos, só perguntando a quem sabe e com a fé de que já alguém passou pelo menos e ultrapassou o problema ou que alguém que nunca tenha olhado para a questão a encare dum ponto de vista que não nos tinha ocorrido.

Um burro esclarecido tem outro alento.

One thought on “o cumbíbio

  1. Aproveita bem esse intercambio de sabedorias. Isso é uma grande oportunidade de progresso nos teus conhecimentos, e na forma de encarares a tua vida, que, afinal pode ser mais leve.
    Em Portugal poderás não encontrar identico ambiente.
    Mãe

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