perguntam eles

Vejamos. Às pessoas que há muito tempo pouco ou nada têm, o “com menos” não se aplica. Aos que tinham mas agora até comida lhes falta, até é má criação perguntar… “Olha, vou à mitra!”?? Presumo então que a hipótese desta sondagem seja que todos os outros, que estão simplesmente a apertar o cinto, relacionem a qualidade do Natal com a quantidade e a qualidade das prendas.

Acho degradante a quantidade de vezes que a comunicação social tem vindo tentando retratar as classes média e baixa portuguesa como deprimidinhas porque as pessoas têm de gastar menos dinheiro em prendas. Fazem estatísticas das transações multibanco e da desgraça do comércio tradicional. Entrevistam aquelas velhotas na rua a dizer que vão fazer uns biscoitos ou que só vão dar qualquer coisa aos netinhos, ou o senhor de meia idade a dizer que decidiu restringir os gastos e oferecer apenas coisas úteis… como se estas atitudes fossem um flagelo, manifestações do armaguedão socio-econónimo e não fruto dum bom senso que se deveria ter todos os anos.

Desculpem a linguagem, mas isto é bater punhetas à tristeza!

Ao contrário do que acontecia há, sei lá, 50 anos, a maioria dos portugueses de hoje não são pobres nem passam necessidades. E, neste Natal, vão conseguir pôr bacalhau e filhós na mesa. A única coisa que vai distinguir os que vão ter um Natal feliz dum Natal infeliz, não se compra, não se mede com nenhum indicador económico e nem sequer se traduz pela devoção com que se vai à missa do Galo. E essa coisa é sentir o espírito de amor e comunhão… até estarmos tão empanturrados que nem sentimos mais nada.

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