livros e blogs de cozinha

Quem me ensina a fazer comida é a minha mãe e as minhas tias. Mais recentemente, tenho inputs das minhas amigas italianas aqui de Leuven e do Henrique Sá Pessoa na televisão. De vez em quando gosto de ver o njam! (o canal de cozinha belga – sim, eles têm um canal que passa o dia todo a dar receitas), mas eles demonstram tudo tão depressa que a sensação que eu tenho é que fazem de propósito para lhes irmos comprar os livros. Também passo algum tempo na net à procura de blogs de cozinheiros amadores que tiram fotos bonitas aos seus pratos.

Mas do que eu gosto mesmo é de livros de cozinha. Gosto tanto que não os compro, para não me viciar. Lá em casa, em Cascais, há duas bíblias: o fabuloso título dos anos 70 “A mulher na sala e na cozinha” e um da Maria de Lurdes Modesto, o que por si só constitui o carácter de referência da coisa. Uma vez que estou na Bélgica e sai muito caro cozinhar com sempre com os ingredientes nobres da cozinha mediterrânica, ando a namorar o Jamie Oliver cá do sítio, que é o Jeroen Meus. Tem um programa na tv com receitas para o dia-a-dia e com ingredientes que são mais banais para os belgas. É um chavalo muito popular por estas bandas com livros que vendem mais que pão quente e os pratos parecem deliciosos. Mas se excluir as receitas demasiado complicadas ou com ingredientes caros, percebi que não vou inovar muito se me inspirar nele. Até porque ouvi uma colega comentar o quão maravilhoso e excepcional é o seu caril de frango porque levava coentros frescos. Sem comentários.

Problema típico número 1 dos livros de cozinha estrangeiros: o twist de 90% das receitas é óbvio para quem conhece as bases da cozinha mediterrânica.

Em vez disso, podia atalhar e ir logo aos livros do Jamie Oliver, já que fico sempre a salivar quando vejo a comida dele na televisão. Mas das duas uma: ou ele usa coisas que eu jamais me lembraria de ter em casa ou usa coisas que me são familiares mas é parvo (para quê meter 3 mil coisas num peixe para grelhar?). Corroborando isto: este Natal comprei o Dicionário dos Sabores e recebi de oferta um livro sobre alimentos saudáveis e como os confeccionar. Mas foi escrito por ingleses e, como tal, não surpreende muito (“Usem azeite em vez de margarina!” – uau, a sério…). Além disso, muitos desses ingredientes saudáveis em torno dos quais gira as receitas são difíceis de encontrar ou são obscenamente caros. Por fim, as suas sugestões de confecção nem sempre são saudáveis (p. ex.: natas na sopa – esse flagelo).

Problemas típicos números 2 e 3 dos livros de cozinha estrangeiros: os ingredientes que usam são raros no local onde estamos e, como tal, ou são difíceis de encontrar ou são caríssimos; as receitas geralmente não são tão saudáveis quando as da cozinha mediterrânica.

Felizmente há, espalhados pelo mundo, pessoas de várias nacionalidades que cozinham com cebolas, alhos, azeite, tomates, pimentos, ervas, farinha, açúcar, água, feijão, nacos de xixa e outros constituintes simples e que fazem maravilhas com eles e partilham-nas com o mundo através dos seus blogs. Tenho pena que eles não falem português, porque isto é a minha homenagem aos chefes amadores e pelintras que não publicam livros mas sabem pôr valor à mesa.

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