a propósito duma erva

Come-se muita iguaria motivada pela pobreza. Que outro argumento, senão a necessidade, nos poderia levar a limpar as tripas dos porcos para rechear de restos de carne ou mesmo sangue ou a comer-lhe até as orelhas e as patas? Este fenómeno repetiu-se por todo o lado, desde Itália com as suas mal-nutritivas pizas à limitação dos nórdicos aos tubérculos.

Volta e meia acontece que encontro aqui à venda coisas que sempre conheci e que nunca me ocorrera que merecessem lugar na gastronomia. “Mas isto come-se??” é um pensamento frequente. É o caso do endro, uma erva que cresce nos matos no Inverno à volta da nossa casa lá na Charneca e à qual eu nunca liguei nenhuma. Parece que na Europa do Norte é muito popular, o que é fácil quando não se compete com coisas como orégãos e rosmaninho.

Bom, se se come e não é viscoso, eu tenho de provar! E consegui metê-la numa receita esta semana, adaptando uma ideia que achei no Epicurious.

~ fettucinne com delícias do mar e salada de rúcula e manga ~

Rúcula + manga… nunca me tinha passado pela cabeça. Mas passou pela da Luísa, num momento de inspiração divina. Cortou um bocado duma manga bem madura aos pedacinhos e misturou com rúcula, temperou com um vinagrete e voilá!

Delícia, juro.

A massa também é muito simples. Pica-se meia cebola roxa e um dente de alho e põe-se na frigideira com vinho branco e um tiquinho de vinagre. Deixa-se o vinho levantar fervura e evaporar quase todo (uns 3min). A cebola vai ficar cor-de-rosa, muito linda, e tenra. Também lá estava um bocado de chili sem sementes, que não deixei ficar muito tempo para não ficar tudo demasiado picante.

Antes do vinho desaparecer todo, adiciona-se duas colheres de chá de manteiga, que se deixa derreter. Também dá com azeite, mas a manteiga dá o gosto pretendido. Logo de seguinda junta-se delícias do mar esfiapadas e, se se quiser, uns camarõezinhos já cozinhados. Envolve-se tudo muito bem e deixa-se apurar 2 minutos sempre a mexer. Desliga-se o lume e junta-se sumo duma rodela de limão e ervas picadinhas. Usei um molhinho de cebolinho, uma folha de hortelã-menta e dois ramos de endro – uma combinação espectacular!

Junta-se isto à massa mal escorrida. Uma deliciosa refeição de verão.

E quanto ao endro: aprovadíssimo! Merece que compre um vasinho para pôr no quintal junto das outras ervas comestíveis todas.

2 thoughts on “a propósito duma erva

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s