netos da madrugada

Os poemas modernos
Já não rimam
Nem usufruem daquela métrica hipnótica
Que nos faz cantá-los como a tabuada
Ou qualquer coisa que faça ressonância
Com o que queremos ver neles.
É mais um sinal de que desistimos
Enquanto sociedade de nos proporcionarmos
Com uma harmonia equacionada.

Deus perdeu-nos
Deixámos de pensar
Não temos valores.
É mais fácil brandir
Do que compreender.

Bebamos demais
E compensemos com ócio
E sexo fluído
E um encolher de ombros
Até termos despejado
As nossas cabeças cheias dos sonhos
Que os nossos pais mal se atreveram a ter.

Tanto sacrifício
E até os poetas têm preguiça!

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