Izmailov e a factura da emigração

Há bocado, estava eu sossegadinha a estudar noite dentro ao som do relato do clássico, quando quase fiz uma contractura no pescoço de tão depressa que levantei a cabeça ao perceber que o Izmailov foi para o Porto. Estou bem, obrigado, mas as compressas de Voltaren de que poderia ter precisado teriam entrado na factura da emigração. (Logo a seguir aos danos morais por andar a beber vinho do Porto de segunda.)

Desde que fiquei sem RTPi (*rosnadela*), manter-me informada sobre os destinos a pátria assumiu contornos de cefaleia. É sabido que a televisão nos dá mais conteúdo por unidade de tempo do que a leitura dum jornal. Além disso, dá-nos conteúdo de pior qualidade informativa. Não tendo vida para passar horas a separar o trigo do joio nos jornais online, remeto-me às letras gordas. Assim, fico a saber dos assuntos sérios pela rama e escapam-me completamente as mundanidades. Claro que uma pessoa não perde muito em só descobrir o Ai se Eu te Pego com 6 meses de atraso relativamente à generalidade da população… mas fico desconcertada quando me apercebo que perdi o fio da evolução do calão e da chungaria nacionais.

Saber conversar é um elemento de integração social e não quero amofinar por falhar nos requisitos mais básicos da actualidade. Por exemplo, perceber à primeira que “bué da fat” é uma lisonja e evitar constrangimentos linguísticos a falar com a primalhada mais nova… Depois de algumas frustrações nas férias do Natal, começo a pensar que devia fazer uns cursos preparatórios intensivos antes de ir a Cascais para me pôr a par das ocorrências. Teria atenuado alguns choques que apanhei em questão de duas horas sentada no sofá. É que tenho de gramar com as novelas da noite e ninguém me explica o que é que se passa… Ainda estava na fase em que a Diana Chaves não tinha jeito para lésbica e agora anda ali ao lado do Futre… Falando em quem: parece que já toda a gente acatou que ele é alguém, mas eu não tive exposição suficiente e ainda me sinto incomodada. Para rematar o serão, alheia à obsessão nacional por obesos a fazer exercício na TV, fui olhada com indignação após um “Ewww!!! Qu’é isto??”.

Na verdade, nem sei quem é que vai em primeiro no campeonato…

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