são órbitas

São órbitas, são.
Parecem caminhos comuns,
Mãos dadas e adiante, mas não.
Órbitas que se cruzam
Ao fim do dia, depois de conceder
Às outras coisas da vida.
Por vezes come-se e fala-se,
Por vezes beija-se e cala-se.
Nada de se enaltecer.

Suspiro, raiva, guarida
Cócegas, abraço mudo,
São instrumentos de diplomacia.
É assim que o trajecto permanece
E que após outro circuito de tudo
O amor se acha de novo
À porta, à mesa, na cama,
No olhar que reconhece
O corpo que se aproxima
Como o tal que se ama.

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