stop gaying stuff up

The thing that disturbs me about homosexuality is that people make it sound so remarkable. Not in the good or in the bad sense, just the one that people have to make remarks about it. Being gay seems to be a noteworthy issue. Having a gay child/friend/colleague/(…) seems to be a noteworthy issue. I don’t want to notice homosexuality. It should just let be, as private and compelling as any other healthy sexuality, particular and yet familiar like any other sort of romantic love.

There are all these stereotypes surrounding gay people and vocabulary and supposedly mannerisms meant to classify and separate gay from non-gay, to make them remarkable. (Remarkably insidious, remarkably promiscuous, remarkably well-cultured and fashionable…)

Funny thing is: no one ever managed to prove that heterosexuality is the norm. (Yeah, check the literature.) And still there’s such a fuss about its exception.

“Gay” even seems to be an appropriate word to describe something which has an entire set of qualities which do not necessarily include loving people of the same sex. Like:

ImageOk, I concede that etymologically, this cartoon makes perfect sense. However, effectively, this picture insinuates that because the Christmas tree has ornaments it fancies intercourse with trees of the same sex. (I know spruces are monoecious – actually, I had to ask a colleague to be sure -, I’m just making a point.) Apparently, there are so many gayness markers that it seems legitimate to gay up almost anything.

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brilliant Stephen Colbert, snatched from Tumblr

Oreos, really? Low blow, dudes…

fangirling

Long gone the time of fangirling celebrities ’cause they’re cute or play this really hot role on TV or sing awesome songs. The posters dropped from my walls as the eligibility criteria to earn my admiration mutated and got stricter. I kept on adopting pieces of art, science, generic creativity into my life’s shrine of stuff worth striving for, but kept them decoupled from the people who consummated them… as if it would spoil them. (You know: ewww people with idiosyncrasies eww.)

Come to think of it, I haven’t fangirled anyone for maybe a decade… But suddenly now, at 28 years of age, I realized that I profoundly admire the work of three women: Tina Fey, Amy Poehler and Connie Hedegard.

So. I aspire to two comedy actresses and the European Commissioner for Climate Change.

Just… who am I??

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Tina Fey. (no idea who to credit for this image)

Izmailov e a factura da emigração

Há bocado, estava eu sossegadinha a estudar noite dentro ao som do relato do clássico, quando quase fiz uma contractura no pescoço de tão depressa que levantei a cabeça ao perceber que o Izmailov foi para o Porto. Estou bem, obrigado, mas as compressas de Voltaren de que poderia ter precisado teriam entrado na factura da emigração. (Logo a seguir aos danos morais por andar a beber vinho do Porto de segunda.)

Desde que fiquei sem RTPi (*rosnadela*), manter-me informada sobre os destinos a pátria assumiu contornos de cefaleia. É sabido que a televisão nos dá mais conteúdo por unidade de tempo do que a leitura dum jornal. Além disso, dá-nos conteúdo de pior qualidade informativa. Não tendo vida para passar horas a separar o trigo do joio nos jornais online, remeto-me às letras gordas. Assim, fico a saber dos assuntos sérios pela rama e escapam-me completamente as mundanidades. Claro que uma pessoa não perde muito em só descobrir o Ai se Eu te Pego com 6 meses de atraso relativamente à generalidade da população… mas fico desconcertada quando me apercebo que perdi o fio da evolução do calão e da chungaria nacionais.

Saber conversar é um elemento de integração social e não quero amofinar por falhar nos requisitos mais básicos da actualidade. Por exemplo, perceber à primeira que “bué da fat” é uma lisonja e evitar constrangimentos linguísticos a falar com a primalhada mais nova… Depois de algumas frustrações nas férias do Natal, começo a pensar que devia fazer uns cursos preparatórios intensivos antes de ir a Cascais para me pôr a par das ocorrências. Teria atenuado alguns choques que apanhei em questão de duas horas sentada no sofá. É que tenho de gramar com as novelas da noite e ninguém me explica o que é que se passa… Ainda estava na fase em que a Diana Chaves não tinha jeito para lésbica e agora anda ali ao lado do Futre… Falando em quem: parece que já toda a gente acatou que ele é alguém, mas eu não tive exposição suficiente e ainda me sinto incomodada. Para rematar o serão, alheia à obsessão nacional por obesos a fazer exercício na TV, fui olhada com indignação após um “Ewww!!! Qu’é isto??”.

Na verdade, nem sei quem é que vai em primeiro no campeonato…

conversa de chacha

Tenho uma memória bestial para coisas que não interessam. Sei muitas coisas parvas que nem sei que sei, mas que me vêm infalivelmente à cabeça quando algo despoleta a recordação, o que proporciona aos meus amigos e família aquilo a que eles chamam os momentos Wikipedia. Além disso, sou praticamente imbatível a jogar Trivial Pursuit. Só que estou constantemente a pedir segundas-vias de pins. Sobrevivo de 3 agendas e um exército de post-its e listas. Nunca soube cantar a tabuada, nem recitar vias metabólicas e nem o meu número de telemóvel.

Ora bem, isto é francamente irritante. Primeiro porque me dá fama dupla: de geek e de despistada. Segundo, porque preferia estar a ocupar o intelecto com coisas úteis como, por exemplo, conhecimentos científicos e técnicos fundamentais ao meu trabalho ou a distinção esquerda/direita ou onde é que este post-it aqui me está a dizer que eu terei de estar amanhã às 10h.

Por outro lado, este armazém de factos de chacha é uma boa base para conversa de chacha, que é um requisito fundamental para uma pessoa se desenvencilhar em sociedade. Tenho conversa de chacha para toda a gente em todos os domínios: novelas, livros, futebol, economia, aplicações para telemóvel… O problema é que facilmente ponho o pé em ramo verde nos domínios que me são menos familiares. Felizmente, muita conversa de chacha decorre em grupos onde diluir a nossa discrição e há muita gente que gosta de se ouvir falar. Foi para essas pessoas que aprendi a acenar com uma expressão cúmplice e ao mesmo tempo admirada enquanto murmuro “hum hum”. Assim se aguenta um monólogo de 15 minutos sem passar por burra.

Até me podia safar com os livros, mas é difícil. Muitos dos que lêem querem é exibir-se e  andam para aí em transe pseudo-intelectual como se estivessem bêbedos com o suco divino da ideia escrita. Ainda por cima acham que as suas opiniões têm selo de qualidade porque eles usam a palavra “tertúlia”, tocam no Hot Club, só fumam Winston e/ou gostam da interface entre a neurologia e a metafísica. Alguns até acham que Lomografia é alguma coisa!

Eh! Haja pachorra para essa gente! Nem com “hum hum”‘s lá vou.

A Sra. Ferreira Alves há-de sentir-se contrariada (é fácil contrariar pessoas ressentidas com tudo e todos), mas para mim é um facto feliz que a maioria das pessoas que falam de livros são aquelas que foram só comprar uns do top 5 da Fnac para levar de férias para o Algarve, que é quando têm tempo para ler. Gosto deles pela sua humildade literária e também porque, pela lei da oferta e da procura, promovem indirectamente a insatisfação das pessoas que se validam por só fumar Winston. Infelizmente não posso dar uma mãozinha. É que a TAP só me deixa trazem 20 kg na mala e só os do José Rodrigues dos Santos são 5 kg cada um. Mais vale 5 kg em Nestum, chouriço e café Nicola. Além disso, graças ao Twilight aprendi que ler “o livro que toda a gente anda a ler” é uma grande esparrela. Mesmo assim – tronca! – comprei o Fifty Shades of Grey e cinquenta páginas depois estou a pensar que aqueles 15€ teriam sido melhor empregues numa travessa de ameijoas à Bolhão Pato.

Quiçá o meu problema não seja tanto a falta de interlocutor, mas de coisas para dizer sobre os livros. As minhas avaliações literárias cingem-se a contar o enredo em 2 frases e depois classificá-los em “gostei”, “gostei mas o homem é muito complicado” ou “alta seca, mal passei das 30 páginas”. Também há aqueles livros em que a gente diz “aprendi muito sobre a vida/Deus/os anjos/a nossa força interior (riscar o que não interessa)”, mas pessoalmente não gosto do género.

Há ainda uma quinta classificação: “chorei baba e ranho”. Raramente vem à baila e eu sinto-me lamechas se puxar o assunto. As pessoas olham para mim de lado quando eu digo que choro baba e ranho a ler Torga. Mas eu fico na minha. Não sei como é que não se chora naquela cena do burro e dos lobos n’Os Bichos.

the jerk

The jerk is the most well adapted humanoid kind and exists with the sole purpose of annoying and disgusting its fellow citizens.

There is no consensus regarding the origin of a jerk (jerk families? circumstantial drift? transitory testosterone drive stage?). His reproduction can only be ensured by either stupid or desperate women. Until the jerk finds that woman (and often even after he does), the jerk treads the environment occupied by regular humans attempting to simulate situations of actually having a chance with regular women. This implies harassment and picking fights with possible male competitors, in which the jerks imagines he’s seducing rather than annoying and also that he actually stands a chance of being taken serious rather than disdained and/or kicked in the nuts.

This imaginary world of success with chicks is only possible because jerks have a unique physiological feature: a nerve connecting its penis to its anus to then to its mouth, which makes the his verbalization highly susceptible to what it seems to be sexual talk but its actually just crap.

the construction worker subtype reciting its poetry from a scaffold

The subtype “construction worker “, is easily distinguishable from the common jerk because its vernacular character seems to be limited to its workplace and varies inversely to the height to the scaffolds. In addition, the construction worker subtype only exists in certain nationalities and its culture has been fostering highly creative, dirty and sometimes explicit compliments to women which are accepted and even embraced by the people as a humorist movement (masons or scaffold poetry), whereas the common jerk is endemic to the entire western world and does nothing good.

Furthermore, unlike the construction worker subtype, the jerk can have different appearances, from the distinct suit and tie to the suburban rapper wannabe. Nonetheless, some features can hint the citizen on whether or not he/she is the presence of the a young jerk: the combination of tight t’shirts and hair gel; a cap barely balancing on top of the head because it’s too small and the jerk’s gait (or swag) is that of a hyena with its buttocks sewed together; a cigarette in one hand and a bottle of an alcoholic drink in the other combined with a farsighted gaze and what appears to be an incontrollable need to curse out loud. Not always, but unfortunately often, the young jerk “evolves” into the adult common jerk. With good guidance, he might divert to the superior construction worker subtype or even find redemption as the middle aged man in the parochial parties who dances with his own bottle of beer.

Translation “Sometimes the future does not lie ahead of you, but rather right behind you.” – A good prognosis for this young jerk, if you ask me! (Fonte: http://atomic-kim.blogspot.com/)

The presence of the common jerk makes any moment of the day turn worse, especially for the female citizen… but its worse when we’re out trying to have fun. Any woman knows the discomfort of having to listen to jerks, walking down an empty street where jerks are or trying to dance with jerks at sight range. The jerk is my number 1 most annoying thing about going out at night. If I would make such a ranking, jerks would beat meeting at 21h for dinner without having a reservation and walking around asking waiters for a table in full restaurants or, even worse, discussing whether you’ll all go for thai or pizza. If I were to make the equivalent ranking for daytime, it would beat public transport strikes and beggars with those tiny drugged dogs holding a basket in their mouths. Worse than beggars with the tiny dogs with baskets: that’s just how much I detest jerks.

the youth

Quando cheguei a Leuven esta madrugada, saí do carro e senti nos braços despidos a noite morna de tão húmida. Não havia outro som na rua além dos meus passos apressados, os passarinhos que começavam a pressentir a madrugada e o zunir da música da festa nos meus ouvidos. Deve haver qualquer coisa de melancólico numa autoestrada vazia à noite. Não sei se é da alternância perfeitamente ritmada da iluminação pública ou da urbanidade dormente que, sem gente e sem stress, é simplesmente feia. Ou então foi de dançar a Smells Like Teen Spirit, porque isso dança-se assim meio a largar tudo por todos os lados, numa noite em que se bebeu vinho tinto e em que todos tínhamos carta de condução, de andarmos a ir aos casamentos uns dos outros. E às vezes falamos de coisas sérias, como a segurança social e pintar paredes, e também falamos das nossas intimidades, as felizes e as tristes, mas só assim muito de levezinho, com meias palavras, que bastam, e poucos detalhes embaraçados. Nota-se que a intimidade é assunto, mas não para se ter, não como quando éramos miúdos que as coisas se sabiam, mas sim como uma obra ainda mal montada, uma verdade que não se sabe bem comunicar, que se desconhece e é tão óbvia.

Deve ter sido disto tudo. Porque vim para casa a pensar que não ando a sentir alegria vezes o suficiente. É uma constatação muito séria… e talvez um bocado íntima. A verdade é que hoje, o tal dia seguinte, ando a cantarolar isto:

MGMT – The Youth from Eric Wareheim on Vimeo.