recta final às curvas

Está a decorrer um autêntico Verão lá fora, com tudo a que isso tem direito: nuvens de mosquitos muito más de atravessar de bicicleta, os belgas todos em fato de banho a converterem-se em lagostas nos parques (saio à rua e parece que estou na Praia da Rocha) e a trazerem as cadeiras para os passeios, esquinas e varandas para jantar ou beber enquanto os estrangeiros vão fazer churrascos para o campus, um calor abafado que nos cola as pernas… E eu estou quase indiferente.
Tenho de entregar a tese na próxima 3ª ou 4ª feira. Ou seja: estou enfiada em casa a escrever sentada ao computador com o dicionário, os meus cadernos, as pilhas de artigos espalhados na secretária, bebo 2 cafés por dia (cujo efeito em mim faz a vez de 10), durmo 6h/dia, prescindi da vida social e não cozinho.
Mas de vez em quando o pescoço deixa de mexer e a cabeça de pensar e tenho de ir lá fora. 1h a jogar ténis, uma ida ao supermercado para comprar fruta, simplesmente chegar ao parque e mandar-me para o chão e ficar 30min a olhar para o céu e a babar-me… qualquer coisa. Quando volto nem sinto que tinha passado 6h seguidas a trabalhar.

Ai… ‘tá quase!

(legenda: pausa de hoje, por volta das 17h)

abdij van park

Em Korbeek Lo (uma das zonas de Leuven fora do centro) fica a Abdij van Park, que, como o próprio nome indica, é uma abadia… com um parque. Data do séc. XII embora os edifícios remontem ao séc. XVIII. Mas o que interessa mesmo não são os edifícios. É ir para lá a pedalar e percorrer os trilhos nos campos de cultivo e apreciar os lagos e o desassossego do vento nas árvores altas.

Acho que é o sítio mais lindo de Leuven.

campus arenberg

Bati com o nariz na porta quando ia para o ginásio, pelo que aproveitei estar nas bordas do campus universitário (arenberg – onde estudo/trabalho/whatever) e continuei a pedalar por ali a fora, primeiro pelo percurso que faço para ir para a faculdade e depois com variações.
Dei voltas e mais voltas, às tantas já nem sabia bem onde é que andava… Só ouvia pássaros e restolho. Delícia… =) Os bosques são lindos, a minha choça velha portou-se muito bem… e, para rematar, à vinda para casa dei a minha primeira queda de bicicleta aqui em Leuven! Esqueci-me que se tirar uma mão do guiador perco o equilíbrio. Uma destrambelhadice à la Pipeta paga com um joelho negro e inchado! Mas sobrevivi!

(ALMA 3 – a cantina do campus, lá ao fundo, com dois campos de jogos à frente. Ao meu lado estava um coelhinho a roer uma folhinha muito entretido a olhar para mim.)

(O Dijle, que é verdinho e bonito no meio da floresta, e verdinho e sujo à minha janela!)


sarninha e da boa!

Há duas coisas as quais eu posso ter sempre mais. Uma não digo, porque sou uma senhora. A outra é sarna para me coçar. Assim sendo, como se a tese não estivesse já a dar-me água pela barba, resolvi colar-me a um post-doc lá do departamento, o Raf, que está a fazer umas experiências com genética de café. Ao ver o meu entusiasmo quando me explicou a cena toda, ele convidou-me para ir com ele a Melle (mais uma cidade no meio de nenhures, apesar de ser perto de Gent), mais precisamente ao ILVO. É bom saber que ainda consigo abrir e fechar eppendorfs com uma mão, enquanto pipeto com a outra!
Eu bem que estendo os tentáculos mas ninguém tem dinheiro para me pagar mais dois semestres em Leuven… =(

Thanks Raf! =)