um chato que é um herói de si mesmo

Acho muito fixe isto das notícias agora serem todas digitais. Com uns cliques no rato ou umas dedadas no ecrã do telemóvel e poucos minutos temos à frente uma panóplia de fornecedores de informação com todos os níveis de qualidade e para todos os bolsos. Escolher o que ler e quando o ler é mais fácil, frequentemente gratuito e rápido. O papel tem muito charme mas é muito menos prático.

Posto isto:

Tenho um ressentimento muito grande relativamente ao facto de os jornais online quererem ser tão interactivos. A informação não só vem deles para nós, mas nós também podemos deixar o nosso bitaite. Por um lado, compreendo: se certos caramelos têm direito a serem publicados em destaque nos chamados “artigos de opinião”, “crónicas” ou “colunas”, os restantes caramelos também têm direito. Vai-se a ver e a maioria de caramelos de ambos os lados têm níveis iguais de formação e relevância, nível esse que se intui ser relativamente baixo dada a sofreguidão dos jornais em produzir conteúdo e em se integrarem na febre da interacção social que é a internet.

O que eu não perdoo é que isto tenha aberto as portas da projecção indiscriminada a tanto energúmeno. O leitor-comentador chato tem o poder de transtornar mais que as más notícia e consegue tingir até as notícias boas. Não há filtro de profanidades e hyperlinks que valha à secção de comentários das notícias. O leitor-comentador chato não tem filtro nenhum e o ponto de vista mais estúpido, mesquinho e mal informado há-de ir lá parar. O leitor-comentador chato não dispõe, frequentemente, de mais nada do que o seu umbigo espectacular e único e a transbordar de opiniões, tão mas tão urgentes que a maioria das vezes nem lê o artigo em questão antes de debitar três parágrafos despropositados. O leitor-comentador chato absorve palavras-chave e assume o teor do que está escrito e sobre a produção de ananás nos Açores brada contra a mania das dietas. Brada fora do contexto, brada contra a ironia que não percebe, brada contra a gramática como um professor da quarta-classe, brada contra os factos que acha que entendeu mas não entendeu foi porra nenhuma. Brada em múltiplos artigos, brada contra os outros leitores-comentadores, contra o jornalista, pela a sua vida infeliz que nunca se concretizou na extensão do seu próprio ego, pela frustração de ser um visionário tão inteligente e relevante condenado a uma existência de carimbar papéis na conservatória. Todos, MAS TODOS, temos de ficar a saber de que maneira o leitor-comentador chato corrigiria o mundo e endireitaria as contas do estado e a moral da sociedade, se lhe dessem mais do que poder de voto e de acordo com uma filosofia trabalhada durante anos na grande escola do balcão do café.

filha da mãe do polvo é rijo que nem cornos

Quantas e quantas vezes nos apanhámos nesta situação? Um arroz de polvo ou uma saladinha em mente mas quando o polvo acaba de cozer ainda parece uma sola de sapato.

Problema resolvido.

~ hamburguers de polvo ~

Só é preciso um 1-2-3 ou coisa assim. Lá dentro vai o polvo cozido, a cebola que se souberes o que estás a fazer puseste a cozer com o polvo, e coisas para dar gosto (eu pus sal, pimenta, pimento assado e coentros). Adiciona-se ainda pão ralado. Tritura-se tudo muito bem e ajusta-se o pão ralado até a massa ficar moldável.

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Depois fazem-se bolinhas e achatam-se em discos e voilá, hamburguers. Pincelam-se dos dois lados com azeite e douram-se na frigideira.

Combinam super bem com abacate e arroz de tomate.

poesiazeca

Muito recentemente recomecei a escrever poemas. (Poemazecos, digo.) Tem de ser. Se não me livrar deles por escrito, ficam os versos a zunir atrás dos outros pensamentos.

Ambos processo e produto incomodam. Parece regurgitar a adolescência e ter de a mastigar com os ácidos da vida adulta. É nojento.

april 18

Because Sylvia Plath died 50 years ago.

the slime of all my yesterdays
rots in the hollow of my skull

and if my stomach would contract
because of some explicable phenomenon
such as pregnancy or constipation

I would not remember you

or that because of sleep
infrequent as a moon of greencheese
that because of food
nourishing as violet leaves
that because of these

and in a few fatal yards of grass
in a few spaces of sky and treetops

a future was lost yesterday
as easily and irretrievably
as a tennis ball at twilight